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ÁREA DO CLIENTE
  • Janaína Ferreira
  • 30/04/2026

Licença-paternidade ampliada: como o empregador deve se preparar para a nova realidade

Durante muito tempo, a licença-paternidade ocupou um espaço quase simbólico nas relações de trabalho no Brasil. Entretanto, esse cenário começa a mudar de forma concreta com a Lei 15.371/26.

Com a nova legislação, o tema deixa de ser apenas um direito básico e passa a assumir um papel estratégico, tanto do ponto de vista social quanto organizacional. Nesse contexto, a ampliação da licença-paternidade não representa apenas mais dias de afastamento.

Diante disso, compreender o que muda, como funcionará a transição e quais são os impactos práticos tornou-se essencial para profissionais da área contábil, departamentos pessoais e gestores.

A nova lógica da licença-paternidade no Brasil

Antes de mais nada, é importante entender que a mudança não é pontual. Trata-se de uma transformação estrutural: a legislação atual introduz ajustes que impactam diretamente a gestão de pessoas, o planejamento financeiro das empresas e a própria dinâmica familiar.

Como será a ampliação da licença-paternidade

Diferentemente de outras mudanças legais, a ampliação da licença-paternidade foi desenhada de forma gradual. Ou seja, existe um cronograma progressivo que permite adaptação ao longo do tempo.

Na prática, o modelo segue uma evolução em etapas:

  • 2027: licença passa para 10 dias
  • 2028: período aumenta para 15 dias
  • 2029: atinge o limite de 20 dias

Esse formato reduz impactos operacionais imediatos e, ao mesmo tempo, permite que empresas ajustem processos internos com mais previsibilidade.

Salário-paternidade: como será a partir de agora?

Se a ampliação do tempo já chama atenção, a alteração no modelo de custeio é, sem dúvida, o ponto mais relevante.

Anteriormente, o custo da licença recaía diretamente sobre o empregador. Isso, em muitos casos, gerava resistência ou impactos indiretos na gestão de equipes.

Agora, com a criação do chamado salário-paternidade, a dinâmica muda:

  • A empresa realiza o pagamento ao trabalhador
  • Posteriormente, o valor é compensado junto ao sistema previdenciário

Na prática, isso reduz o impacto financeiro direto para as empresas e cria um ambiente mais equilibrado nas relações de trabalho.

Além disso, essa mudança contribui para diminuir distorções históricas no mercado, especialmente aquelas relacionadas à distribuição de custos entre diferentes perfis de trabalhadores.


Quem passa a ter direito ao benefício

Outra novidade importante que não podemos deixar de citar está na ampliação do alcance da licença-paternidade.

Até então, o acesso ao benefício estava fortemente vinculado ao vínculo formal de emprego. Contudo, com a nova legislação, o direito passa a abranger um número maior de trabalhadores.

Entre os grupos contemplados, destacam-se:

  • Microempreendedores individuais
  • Trabalhadores com vínculos não tradicionais
  • Segurados em regimes especiais

Com isso, o benefício deixa de ser restrito e passa a refletir uma visão mais inclusiva, alinhada à diversidade das formas de trabalho existentes hoje.

Regras e estrutura familiar

Além da ampliação do prazo e do alcance, a legislação também evolui ao considerar diferentes estruturas familiares.

Nesse sentido, passam a ser contempladas situações como:

  • direito garantido para pais adotantes.
  • licença de até 120 dias em caso de falecimento da mãe.
  • acréscimo de 1/3 no prazo para filhos com deficiência.
  • possibilidade de divisão da licença em dois períodos.

Esse conjunto de alterações demonstra uma atualização importante: o foco deixa de ser apenas o vínculo empregatício e passa a considerar o contexto familiar como um todo.

O que o empregado precisa fazer?

Apesar dos avanços, o acesso ao benefício exige o cumprimento de algumas regras.

Entre os principais pontos, destacam-se:

  • Comunicação prévia ao empregador dentro do prazo estabelecido que é de 30 dias
  • Não exercer atividade remunerada durante o afastamento

Essas exigências têm como objetivo garantir que a licença cumpra sua finalidade principal: permitir a presença efetiva do pai nesse período inicial.

Estabilidade no emprego: como fica?

A nova legislação prevê estabilidade provisória, o que significa que o profissional não poderá ser dispensado arbitrariamente durante um período específico relacionado à licença.

Na prática, isso oferece mais segurança e evita que o direito seja comprometido por receios relacionados à manutenção do emprego.

Quais são os impactos para o empregador e para gestão de pessoas dessas empresas?

Do ponto de vista empresarial, a ampliação da licença-paternidade exige ajustes importantes. Por isso, será necessário reorganizar rotinas, redistribuir tarefas e planejar substituições temporárias.

Nesse novo cenário, o papel técnico ganha ainda mais relevância. A correta aplicação da legislação exige atenção a pontos como:

  • Parametrização adequada dos sistemas de folha
  • Controle dos períodos de afastamento
  • Compensação correta dos valores pagos
  • Atualização constante diante de ajustes normativos

Portanto, mais do que operacionalizar, será necessário interpretar e orientar com precisão.

Conclusão

A ampliação da licença-paternidade marca o início de uma nova fase nas relações de trabalho no Brasil.

Ao mesmo tempo, essa transformação exige preparo. Processos, sistemas e rotinas precisam acompanhar essa evolução para garantir conformidade e eficiência.

Quer garantir que sua operação esteja preparada para acompanhar mudanças trabalhistas e previdenciárias com segurança e precisão?

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